Friday, October 27, 2006

Hungria, que futuro?

A Hungria vive momentos dificeis. É, talvez, o país da Europa dos 25 que vive a mais grave crise. Crise essa que tem sido agonizada com factos recentes. Vamos então aos factos.
Ferenc Gyurcsany, líder do Partido Socialista Húngaro, chegou ao Governo prometendo aos húngaros resolver o défice de 6% que existia, erigindo reformas económicas que não afectassem o bolso dos magiares. Em Agosto descobre-se que Gyurcsany mentiu ao povo para ganhar as eleições. A verdade é que se tem assistido a uma desenfreada tentativa de controlar o défice e baixá-lo, de modo a que a Hungria entre na moeda única europeia. Os húngaros estão com menos poder de compra que os seus vizinhos eslovacos, checos, austríacos e eslovenos e também com um crescimento económico muito baixo.
A descoberta desta mentira resultou numa ira conjunta do povo húngaro contra Gyurcsany, tem sido levado a cabo manifestações, motins e actos de vandalismo nas principais cidades como na capital Budapeste e ainda em Debrecen e Szeged.
Recentemente, com os festejos dos 50 anos que passaram sobre a revolução intelectual húngara decretando-se liberdade perante o poder soviético(uma espécie de Primavera de Praga que anos depois viria a acontecer na antiga Checoslováquia), novos confrontos exigindo-se a demissão do primeiro ministro.
Nestas revoltas, um denominador comum: em todas elas, a extrema direita tem-se aproveitado para liderar esta revolta e para apregoar o seu amor patriótico e todos os seus ideais. O problema é que alguns países também vivem crises e também vêem a extrema direita renascer. Nos anos 20/30 do século passado, foi assim que os regimes totalitários surgiram, na descrença e descontentamento dos populares, exigindo alguém com pulso, exigindo força.
A nossa diferença dos húngaros reside na nossa abstracção e distracção dos problemas, vamos tendo o futebol para nos dar alegrias e uma meia dúzia de programas e acontecimentos para nos "encher a vista". É que nós, tal como os húngaros, estamos num beco sem saída...

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