Monday, February 12, 2007

Análise aos resultados do Referendo do dia 11/2

Os portugueses deram, no passado dia 11 de Fevereiro, um sinal ao Governo do Engº Sócrates daquilo que querem em relação à questão do aborto. 6 em cada 10 portugueses votaram no Sim, cerca de 4 milhões de portugueses foram às urnas, sendo que ainda assim houve uma elevada taxa de abstenção que torna o resultado do referendo como não vinculativo.
Não me quero repetir em relação a este assunto, respeito o resultado conseguido e expresso pelos portugueses em votos. O que hoje quero dizer é aquilo que deverá acontecer...
A elevada abstenção mostra mais uma vez que a questão do aborto é, para muitos, irrelevante e que cuja matéria não deveria estar na agenda política. Contudo, é necessário referir que desta vez acorreram às urnas cerca de mais 1 milhão de votantes que em 1998. E que talvez assim se explique " a maturidade democrática mostrada pelos portugueses", dita vezes sem conta tanto pelo lado do Sim como pelo do Não.
Quanto aos resultados práticos, confirmou-se a regra: Norte e ilhas mais conservadores, um Sul mais "moderno" por ter ganho o Sim, onde os distritos tradicionais de maioria PCP(será esta a tal modernidade?) ganharam e acrescentaram a si o enclave no Norte do distrito do Porto.
Quanto a vitórias e derrotas pessoais, os destaques vão, sem dúvida, pelo protagonismo assumido nos dias finais da campanha por José Sócrates, que afirmou que caso ganhasse o Não(e isto em resposta à questão da despenalização da mulher também defendida pelo Não) não alteraria a lei. O povo português deu assim a Sócrates o que ele queria, a vitória do Sim para não ficar ele responsável pelo que se seguirá. Ainda assim, a alteração na lei terá de passar pela maioria PS no Parlamento. Derrotas pessoais propriamente ditas, não creio que existam, embora o CDS-PP seja um dos derrotados da noite. Porém, recuso a ideia que foi uma derota da Direita e uma vitória da Esquerda, a questão não era ao nível partidário.
Quero ainda salientar que estes resultados podem ter uma leitura religiosa, a Igreja Católica Portuguesa pode e deve apresentar-se apreensiva por um número ainda significativo de votantes católicos ter optado pelo Sim. É um claro sinal de uma sociedade que vai perdendo valores e que a Igreja tem vindo a perder a influência de outrora.
Dado o Sim pelo povo português ao Governo, o que poderá acontecer daqui para a frente? Bem, eu creio que nem mesmo o Governo sabe, porque durante a campanha não houve um único suporte válido e conclusivo do Sim àcerca do que se alterará. E confesso que há razões para estar apreensivo porque o Ministro da Saúde Correia de Campos não sabe bem o que fazer, a sua única certeza é dar igualdade de acessos aos serviços de interrupção voluntária da gravidez.
De qualquer forma, há que acrescentar o seguinte: o Serviço Nacional de Saúde não tem condições de resposta à procura dos seus serviços, já de si um sistema obsoleto pela enorme lista de espera para outros serviços de resposta a doenças mais graves. Não existem recursos humanos suficientes, recursos físicos e financeiros capazes de serem solução deste problema. O Ministro da Saúde não sabe o que fazer perante os médicos que alegarem objecção de consciência, quantos serão os que rejeitarão fazer um aborto. E as mulheres que estiverem à espera de abortar e que entretanto passem das 10 semanas? Se a tudo isto juntarmos o facto de que o aborto clandestino continuará, podemos concluir que está instalado o caos. E aí entrarão as clínicas privadas espanholas, com abortos na ordem dos 400 euros e que(soube ontem e acho incrível) segundo a directora da clínica dos Arcos(Badajoz) já se constrói em Lisboa uma clínica especializada em abortos, isto antes de se saber o resultado de ontem do referendo.
Enfim, apenas espero que o Estado continue a apoiar as instituições pela vida e que seja dado um tratamento igual quer no acompanhamento e em subsídios a quem queira ter um filho e a quem queira abortar...

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

eras contra nao eras??...

8:07 AM  

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